Vamos falar um pouco sobre os
padrões da moda?
Até então esse tem sido o século
da aneroxia, da bulimia, da depressão, e
do "quer perder 10kg em um mês?". Mas o que esses padrões de fato
representam para a moda? Quem ganha com isso? Por que uma garota beirando a
inanição pode vender uma peça melhor do que uma garota de padrões médios?
Vamos começar falando do produto.
Quando estilistas e publicitários escolhem garotas magras e altas (e geralmente
brancas) para suas campanhas, eles estão na verdade pensando na melhor forma
possível de vender seu produto. Isso incluí não apenas o rosto e o corpo que
irão moldar o produto, mas também um ideal de beleza, de vida, de sucesso.
Assim, o objeto (seja uma roupa, um sabonete ou um imóvel) irá incorporar esse
ideal na mente do consumidor. No caso da moda, o negócio é vender a roupa em movimento,
por meio dos desfiles. Os clientes querem ver como a roupa fica no corpo, se
ela marca, se ela é curta demais, comprida demais... Mas, sinceramente, o comprimento
e o caimento de uma roupa na Gisele Bundchen está longe de ser o mesmo do que
na mulher média brasileira, que tem entre 1,58 e 1,64 e usa manequim entre 42 e
44. Se é pra mostrar uma visão de medidas que não condiz com a realidade por
que então não expor as roupas em cabides? Foi o que a Osklen fez na SPFW desse
ano: roupas em cabides, contato com os tecidos, sem modelos.
Fora a questão dos padrões serem
irreais, ainda precisamos discutir se esses padrões ainda condizem com o que as
pessoas julgam ser "mais bonito". Hoje em dia, o convencionado como
mais bonito é o corpo "saudável", entre aspas porque esse corpo é
muitas vezes atingido por meio de intervenções cirúrgicas, e que pode ser
representado pelo shape Kim Kardashian. Então, se o padrão de beleza é
representado por Kim Kardashian, por quê as
marcas ainda querem desfilar suas roupas com Kendall Jenner? De todo
jeito são dois tipos diferentes de corpos quase inatingíveis: um muito magro e
alto, outro perfeitamente curvilíneo.
Com relação à saúde, vale falar da lei aprovada na França em abril de 2015, que
proíbe que modelos com IMC (índice de massa corporal) menor do que 18 trabalhem
em campanhas ou desfiles. O objetivo da lei era impedir o incentivo à anorexia,
doença que afeta muitas jovens entre 14 e 19 anos, principalmente por tentarem
se encaixar no padrão magérrimo de beleza européia. Com a lei, modelos abaixo
do peso saudável não poderiam trabalhar em funções (desfiles e campanhas) que
as expusessem como um modelo a ser seguido. Dessa forma, jovens por todo o país
(e pelo mundo) não seriam incentivadas a correr atrás de um padrão doentio, que
nada mais faz do que fazer crescer nas estatísticas o números de casos de
anorexia, bulimia e depressão.
Felizmente,
estamos vivendo uma era de aceitação à diversidade, com várias marcas tentando
promover-se com o slogan de que todo corpo é belo, de que toda mulher é
maravilhosa, de que ser feliz é sentir-se bem consigo mesmo. Mesmo com esses
esforços amigáveis, o inegável é que os padrões ainda existem e estão à solta,
causando mais mal do que bem.
Alguns esclarecimentos: Magreza não é sinônimo de
anorexia. Doentio não é ser magro, doentio é enfiar na cabeças das pessoas que
elas precisam ser. Pessoas magras também sofrem preconceito, e muito, portanto,
não diminuam o sofrimento delas, OK? Beijos de NICO.
LINKS:




Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comenta aí. Com elegância.